sexta-feira, 7 de março de 2025

T O X I C I D A D E, P O S I T I V I D A D E. T Ó X I CA

Já pincelei sobre o assunto em outros textos, mas tanto me incomoda que resolvi escrever sobre ele, quiçá fazer um brainstorm.

Redes sociais. A quê ou quem têm servido, afinal?

Volto a citar, porque vale a pena: “A vida que não se posta nas redes dá um trabalho danado” (ou algo assim, mas é o que corresponde à mensagem).

Problemas, quem não os têm? 

Viver não é tão fácil e exige coragem, resignação, digo, resiliência, paciência, bom senso, atitudes naquilo que se pode mudar, aceitação do que não se pode, amor, compreensão, empatia, respeito às pessoas exatamente como elas são.  Tarefa difícil; mesmo que não se consiga amar logo de cara, então que se respeite.

Calçar os sapatos do outro e não ser o dono da verdade a ponto de querer mudá-lo. 

Mal conseguimos transformar a nós mesmos, a começar por um pequeno hábito ou ‘defeito’, que dirá ao outro.

Posta-se propagandas. Absurdo. Sei que são patrocinadas ou patrocinadoras, o que seria ‘necessário’ para manter a rede.

Posta-se vitórias; tudo bem, até certo limite.  

A vida é cheia de altos e baixos, e é bom compartilhá-los com quem se ama; divide-se as tristezas, as dificuldades, somam-se as alegrias com aqueles que realmente se importam. 

Mas com todos? O que exatamente pretendo com isso? 

Aguardo as curtidas como um vício e, com elas, produzo neurotransmissores. O negócio chega a ser físico, não apenas mental, psíquico ou psicológico. Alguém poderia até tratar como dependência. Dependência de curtidas. Volto por ali inúmeras vezes a fim de conferi-las, ler os comentários.

Submeto-me à aprovação alheia, como se fosse verdade. Até mesmo inveja eu causo. “Chego causando.” Consegui isso ou aquilo, sou isso ou aquilo; meus filhos, igualmente. Sou um sucesso total. 

Não sou um ser dividido, dual, cheio de dúvidas e cantos escuros. Sou de outro planeta; aparentemente; um ET.  Humano, não – difícil demais.

Fora a mídia que me golpeia - e me convence - de que tenho sonhos de consumo importantíssimos e necessidades absolutas, imediatas e que me cobra comportamentos, aparência e posturas estereotipados. 

Sou quase um robô, uma marionete nas mãos dos bárbaros.

Faço caminhadas, vou à academia, sigo dietas desmesuradas, a da bola da vez, não necessariamente visando minha saúde, mas para ficar malhado, bombado, postar-me. Apenas o lado “positivo”. Nada de dores e afins. 

Por vezes, o contrário da saúde física e mental. Cedo aos apelos externos.

E quanto aos internos, guardados, escondidos no fundo das gavetas? Quem sou eu, na verdade? Admito minha vulnerabilidade? Meu lado não tão bom assim? Mas o que é bom? O contrário de mau? Não sou normal?

Será que sou um mau sujeito? Tenho sentimentos ruins e impensáveis, inadmissíveis? Eu? Respondo com um sonoro não! Sou bom o tempo inteiro e ponto. Admitir dá muito, muito trabalho. 

Mas, ao mesmo tempo, precisaria admiti-lo para o outro que me lê? Eu mesma retruco, e ainda pergunto: sendo assim, porque teria necessidade de  mostrar ao outro apenas o  meu lado 'positivo'? Digo, ao outro distante; ao outro que não me conhece; ao outro que me julga de lá - e eu de cá, esperando por uma resposta, aguardando ansiosa suas curtidas, ainda que não correspondam à realidade do que pensam sobre mim. Sou uma linda, sou gente boa, sou nova ainda etc.

Ao meu ver, entretanto,  alma, sou espírito, sou mente, sou corpo, tudo junto e misturado; sou um só, sem separações. Sou matéria e sou energia. Eu Sou. Porque a dificuldade em entender? 

A própria medicina não o faz, estamos divididos em partes, tal como os animais que consumimos, a orelha direita e depois a esquerda o pé direito e depois o esquerdo.  Para tudo, uma especialização diferente, com doutorado acompanhando e complementando, trazendo status também...

Foi daí que surgiram as terapias holísticas, a medicina alternativa, cuja eficácia não se comprova por meio de pesquisas e estudos duplo-cegos. Não tem valor algum..

E ai de mim se ainda trago comigo um dos  transtornos mentaais, então! Sou doida de pedra. 

Em verdade, doída. Estigmas. 

Medo de admitir meus próprios transtornos, olhar para mim mesmo, projetando no outro o julgamento que faço de mim mesma e as expectativas frustradas sobre mim, sobre o que deveria ser, sobre o que deveria ter alcançado a este ponto da vida? 

Tenho pontos fracos? Eu? Euzinha?

Quem não os tem? Estamos aqui de passagem e para aprendermos, admitir erros e não repeti-los – e as circunstâncias voltam em ciclos até que aprenda a lição e se possa seguir em frente, errando e caindo e se reerguendo, assumindo que se precisa de ajuda – às vezes sim, por vezes não. Mas que seja verdadeiro.

Que medo de conseguir a ajuda e me jogarem na lata minhas próprias necessidades e fraquezas!... Ou de me fazerem – me deixarem - descobri-las por mim mesma...

Meus pontos fortes e aqueles não tão fortes assim, penso que devo selecionar a dedo com quem compartilhar. O coração do outro é sagrado, o meu também e caminhar por eles exige respeito e sensibilidade, cuidado, tolerância e compreensão. É pisar em ovos. Isso, não encontro em qualquer bar da esquina.

Por outro lado, sei que as redes sociais cumprem um papel importante para todos nós, tanto pessoalmente, como em sociedade.

Quero postar minha opinião sobre certo assunto; congratulações por isso ou aquilo; até mesmo comunicar falecimentos, velórios, sepultamentos etc. Quero postar poesias e escritos cheios de arte, outros tipos de arte, desejar bom dia, boa noite, compartilhar algum conhecimento, perguntar sobre alguma dúvida...

Sim, as redes sociais cumprem um fim. Finalizo negócios, inclusive. 

Minha opinião é de que realmente não vivemos sem elas, não mais. Podem facilitar e simplificar muito nossa vida e a dos outros.

No entanto, que sejam utilizadas com inteligência e bom senso, inteligência emocional, inclusive.

Para falar a verdade, não sei usar o Instagram e em todas as vezes que tentei me deparei com propagandas e mais propagandas. Tudo bem se as pessoas querem divulgar seus trabalhos e afins. Que seja feito com um mínimo de sensatez, no entanto, e que se preserve aquilo que é pessoal 

E que minha positividade não seja obrigatória nem tóxica, a nenhum de nós, e que sirva aos devidos fins.

Não preciso me gabar de nada, apenas e somente buscar meu autoconhecimento, meu próprio crescimento como ser humano, assumindo senão para mim e para muito poucos aquilo que é pessoal e intransferível, aquilo que me faz ser eu mesma.

As redes sociais que se adaptem; às redes sociais, que ocupem seus respectivos lugares e que possam enriquecer a todos, não apenas a alguns.

Não sou de frases de efeito, mas já que o texto se viu repleto delas, termino com uma que muito aprecio:

“Meu amigo me chamou para cuidar da dor dele; botei a minha no bolso e fui”. (Especialmente para Deborah Secchin).


Paula Mendes

13/10/24

SOBRE CÃES, CAHORROS E GATOS

Muito mal comparando,  são como filhos. Porque filhos, não há amor igual.

São, no entanto, completamente dependentes; podem ser hamsters, corujas, calopsitas e outros tipos de aves, cágados e jabutis, porcos e porquinhos da índia, miquinhos, enfim. Uma infinidade de possibilidades,  até cobras e lagartos. No bom sentido. 

A intersecção dos conjuntos é que são  todos pets. Família. 


Parecem com seus donos, cara de um, focinho do outro.


Dizem que não se deve confiar em pessoas que não gostam de cães; ao mesmo tempo,  que se pode confiar plenamente num cão quando ele não gosta de uma pessoa. O dizer é mais ou menos assim.


A maioria dos cachorros é confiável,  fiel, também é o que corre por aí.


Menos a Kelly,  primeira cadela da mamãe, que era uma 'cachorra': mordeu todo mundo lá de casa, na mão, e ainda tentou abocanhar o pezinho da Stella,  bebezinha ainda, no colo do meu pai, que teve reflexo suficiente  e a tempo. 


Foi doada, voltou pela braveza e, por fim, foi para uma fazenda onde aproveitou muito bem a vida.


Já a Lola, segunda cachorrinha deles, era um 'doce de pessoa'!

Animou-nos a todos a termos um cão,  exceto pelo Henrique,  que somente há pouco acedeu aos repetidos apelos dos meninos.


Há filmes baseados em fatos reais, tal como 'Sempre ao seu lado', com Richard Gere, em que, após a morte do dono, seu cão continua indo diariamente à estação de trem a esperar por ele. Há filmes como 'Marley e Eu' e outros, ficção (quem sabe, não), tipo 'Quatro Vidas de um Cachorro', todos fazendo jus ao amor e à alegria que nos proporcionam, apesar das traquinagens. 


Há ainda aquelas estórias anônimas verdadeiras porém, de cães que esperam durante dias na porta do hospital,  por exemplo, pela alta de seus donos, muitas vezes em situação de rua.


Há cachorros maltratados que,  ainda assim, voltam de rabo abanando para os seus tutores, que definitivamente não os merecem.


É muito amor, uma paixão,  uma gratidão que trazem consigo. Nada como chegar em casa e ser recebido com aquela 'festa', mesmo que se tenha saído só por meia hora.


Protegem, muitas vezes até demais, brincam, dão e pedem carinho e atenção. 


Minha Mel tem seus repentes, se acha que lhe vão roubar os restinhos de ovos mexidos que sempre reservo pra ela. Obediente e desobediente. Inteligente.  Logo entendeu que não podia ter mais contato físico comigo,  por causa da esporotricose. O contato é feito por olhares, esperas, poucos latidos; nunca vi tão expressiva. Temos, além disso, a guarda compartilhada,  eu e meus 'rimãos' a Deborah e o Celestino.  Nunca vi tão mimada!


O Max é o bonzinho da família; a Estrela,  um furacão.  A Nina, ainda não sei dizer.


Há, ainda, aqueles que não são exatamente pets, treinados que são para conduzirem deficientes visuais, trabalhar com a polícia ou trazendo conforto e alegria para pacientes hospitalizados. Aumentam a longevidade, fora a companhia.


O que não podem é passar o dia sozinhos,  presos ou abandonados, uma judiação. Têm sentimentos, sim. Mas esquecem.  Nada de rancor. Amor.


Infeliz de quem os treina para brigas, apostas etc., ainda inconscientes. Há de haver um despertar. Infeliz, ainda, aquele que os têm apenas para o fim de procriar.


Felizes aqueles que os resgatam, cuidam deles, arranjam-lhes pais adotivos, apadrinhamento - tal como um dom, uma missão. 


Felizes os veterinários. 


Felizes aqueles que socializam com sua ajuda e anuência. Cumprem também este papel na vida, fundamental para certas pessoas. 


São vira-latas e também aqueles com pedigree, txuxucas que latem, grandes que mordem e vice-versa. Muitas vezes não se dá nada por eles, mas seus donos sabem: não há dinheiro que pague.


Tenho em mim todos os cães do mundo; resta saber quais alimento (dize-me com que cão andas, que te direi quem és). 


Ao passo que, se tivesse uma gata, coisa que não pretendo, ela se chamaria Ágatha. Christie. 


Quanto aos gatos, dou preferência àqueles humanos.


Paula Mendes 

1°/10/24

[13:10, 01/10/2024] Paula Mendes: P.S.: Ouvi agora há pouco e pela primeira vez, que os cachorros nos ensinam o amor incondicional e os gatos, o amor próprio...

UM ANJO ENTE NÓS - (LUTO)

Ainda não consegui elaborar sua perda.

Coisa demais acontecendo ao mesmo tempo, isso ficou dentro de uma gaveta,  aguardando.

Agora 'és' a bola da vez.

Que dizer, meu querido, meu amado irmão? Anjo de todos nós.

Cuidei de você, meio que mãe. Você cuidou de mim, Amigo e Irmão, com letras maiúsculas. Contava comigo e eu, com você.

Cuidou de nossos pais e eles, de você. Puro carinho.

Reclamããoo!!! (risos). Tudo da boca pra fora. A verdade é que tinha o coração enorme, não cabia no peito. Queria agradar, mas amava genuinamente.

Ao mesmo tempo, não tinha ‘papas na língua’, falava o que lhe viesse à telha. Colocava apelido nas pessoas conforme suas características, sempre com bastante humor, muito engraçado.

Não há como não lembrar de você sem dar umas boas risadas. Simples assim. Doces lembranças.

Recolhido a seu mundinho todo próprio, música, cinema, séries, gastronomia. E como tinha bom gosto para todos acima!

Tenho medo de esquecer suas feições, o tom alto com que falava e o timbre da sua voz, o seu sorriso, os seus espirros, sempre exagerados! Fico tentando me lembrar da última vez em que o vi vivo, da última vez que o vi morto, sem acreditar. Acesso em minha mente aquele momento. Fui sem poder ir. Tinha que me despedir. São Tomé.

Que saudade! Pouco ou nada pranteei, tudo guardado no peito a me adoecer. Guardado. Hoje entreabro a gaveta. Não sei bem o que há ali.

Sempre recorria a mim. Eu gostava.

Sempre viajava com a Flávia e o Alex, amigo e companheiro não só de viagens, mas também de filmes de terror no cinema.

Stella viajava um pouco menos em sua companhia, mas também com frequência. Davam-se bem.  Dava-se bem com a família, compreensivo e compreendido, coisa que nem sempre foi. Muito perdeu quem não o conheceu de verdade.

Sem sombra de dúvidas, verdadeiro Anjo em nossas vidas que hoje brilha no céu como uma estrela a nos alumiar o coração.

Fizemos tantos planos!

Morou comigo durante um ano, fugia de casa durante minhas 'TPMs', voltava em cinco dias a reclamar. Responsável por fazer o pagamento das contas e até mesmo lavar louças, coisa que detestava. Um copo diferente para cada nova ingestão de água. Voltou para a casa de meus pais com a justificativa de que queria conviver com a primeira cadelinha deles, a Kelly.

Muito amor pelos animais.

Antenado quanto às pessoas,à sua volta, muito sensível. Ao mesmo tempo,  ingênuo. 

E um tanto direto, aquilo ficava escrito na sua testa.

Tinha que ter seus momentos em sua própria companhia, viajava sozinho ou refugiava-se em seus aposentos, recolhido em si mesmo.

E ao mesmo tempo, tão presente!

Maurício, você foi um grande PRESENTE para todos nós! Que privilégio o nosso! 

E faz-se presente em todos os momentos.

Agora consigo chorar. Desanuviar. Custei, meio que anestesiada e tomada por circunstâncias a elaborar.

‘Mauzinho’, como você faz falta!

Lembro-me como se fosse hoje quando mamãe me ligou na casa da Débora, comunicando que havia escolhido seu nome, que persevera, retunde, reverbera em minha mente. Não há como não lembrar de você todos os dias, como não citar você todos os dias sem sorrir.

No final de minha agenda, um papelzinho à parte com a ‘receita’ do sanduíche da Subway que você gostava. Lugarzinho sagrado.

Sei que está muito bem acompanhado aí em cima. Fica bem. Nós também ficaremos.

Sua, 

‘Raimundinha’.

26/09/24, antevéspera do que seria seu aniversário. 

Vivo o luto, finalmente.

Parabéns, meu lindo!

INCONSCIENTE COLETIVO

Sempre gostei muito de assistir a filmes policiais; séries, então!...

Há o enigma, o desafio,  o suspense, a ação. 

Nos últimos tempos, todavia, tenho me percebido cada vez mais sensível a eles. Há episódios e séries a que já não dou conta de assistir, dada a violência exposta que cada vez mais me incomoda. 

Tenho preferido ultimamente séries médicas, programas veterinários, de culinária e de viagens. 

Viajo na maionese. 

Conheço e me transporto a lugares a que nunca fui nesse 'mundo de meu Deus', quanta maravilha!

O fato é que, dada minha pouca movimentação,  não passo sem uma televisão, apesar da profusão de episódios e programas repetidos.

Planejo todos os dias voltar a ler, hábito que acabou se perdendo com toda essa história de internações,  afecções do olho etc. 

Mas para quê o 'kindle'?  Posso configurar o tamanho das letras, o brilho, a fonte mais adequada.

Proponho-me a voltar com as meditações,  coisa que fazia diaria e facilmente há anos.

Tenho achado dificuldade em retomar atividades dissipadas pela perda do costume. Iniciar e pegar o ritmo não é fácil e sempre há uma desculpa,  uma 'urgência' qualquer.

A Joana D'Arc, uma de minhas fiéis escudeiras e a quem muita admiro não só,  mas principalmente, pelo desapego (assunto para um outro texto), tem no quarto um dizer que é o  seguinte: 

"Ninguém é expulso de sua própria história.

Sinto-me parte disso?

Que estou fazendo aqui?

Será que estou fazendo o que vim fazer?

Para este lugar melhorar,  o que devo fazer?

Será que estou esperando que alguém faça a minha parte?

Será que estou me auto corrompendo cada vez que falo: 'não posso, não sei, vou pensar etc.?'

Lamentação é preguiça. 

Trinômio da decisão: aqui-hoje-já".

Achei forte. Pensando bem...

Elucubrações à parte, voltamos à vaca fria:

Fiquei pensando em como a violência exposta na mídia não apenas reproduz uma realidade,  como também a incentiva e ensina.

Há ainda as intrigas das novelas, BBB etc. Reprodução e incentivo. 

Cada um de nós olha para o próprio umbigo,  querendo ter e 'ser' mais.

Ser é, numa das acepções do dicionário, "a natureza íntima de uma pessoa; sua essência"... 

Não há nada externo, sim, interno. O externo não passa de uma ilusão. 

Véu que cobre nossas almas. Acabamos por querer 'ser' mais ricos, mais bonitos, mais competentes que.

Há uma cultura,  um verdadeiro inconsciente coletivo. 

Pense nas guerras etc. Que mundo este que habitamos?

Onde o 'humano' da humanidade?

Visto por outro ângulo,  quanta gente vemos despertar,  entra as quais me incluo, com cuidados com o planeta,  com o próximo e consigo mesmo,  no sentido genuíno da palavra! A espiritualidade, a religiosidade e não a religião.  A busca do  'ser' verdadeira. 

Estou à procura de emitir boas vibrações,  seja do jeito que for, para meu lar, o próximo de todos os dias, mas também o próximo tão distante que não conheço e nem imagino. Há muito a se despertar em nós e na humanidade como um todo.

Ainda não consegui pensar nos pobres animais que consumimos, apegada que sou. Mas já consigo agradecer por sua vida e seu sacrifício.  Já é um pequeno passo.

Acredito, realmente, na união de boas vibrações para mudança deste inconsciente coletivo, 

de fato.

Voltando àquelas frases: "Será que estou fazendo o que vim fazer? Para este lugar melhorar, o que devo fazer?"

"É perto das almas boas que a nossa fica melhor" - desconheçoautoria, mas vem pipocando por aí.

Aprendamos com elas, espalhadas como anjos disfarçados, todos os dias trombando em nós, a todo momento.  Tenhamos ouvidos e percepção apurada.

Somos, sim, capazes de mudar o mundo, acredite.

Convocados!


Paula Mendes 

24/09/24

TRANSCENDER

 Fico pensando em coisas infinitas,

Em coisas sem fim.

Na plenitude daquilo  que nunca acaba e que tudo transcende.

Na impermanência das coisas, da vida, das estrelas que morrem e ainda enxergamos sua luz depois de longos períodos... 

E em coisas infindas,

Reticências... 

No além e no para além de tudo.

Entrelinhas. 

Nada com ponto final; muitas vírgulas e outras pontuações, talvez. 

Penso nos limites e no ilimitado.

Nada se pode afirmar com um ponto no final.

Nada sabemos, essa a verdade. 

Costumo assistir com frequência a programas de natureza selvagem, em que a natureza não se impõe,  mas flui, simplesmente flui através dos instintos, da renovação da vida, das idas e vindas do clima, das migrações,  da vegetação.

É o Universo, perfeito em si mesmo, apresentando as singularidades de cada um dentro de sua própria espécie tal como uma impressão digital e ao mesmo tempo, todos os aspectos em comum que os une.

Há sempre um líder. 

E há cooperação. 

E há disputas, no caso,  com fins à seleção natural,  preservação das espécies. 

Há a cadeia alimentar. 

Assim como também permeiam a humanidade (os instintos); os homens se caçam, no melhor e no pior dos  sentidos. Instintos.

A seleção talvez não seja tão natural. Nossa alma reclama, sofredora; o planeta reclama, todos os seres vivos e todo o universo respondem, em reação. Consequência da inconsequência. 

Ao mesmo tempo, há paisagens tão dissonantes umas das outras e tão lindas que teimam em encher a vista de beleza e êxtase, da dádiva,  do gozo do existir simplesmente por poder assistir.

E pensar.

Transcender.

O que há no final do arco-íris? Ou será que ele não tem fim?

Onde o buraco negro?

Faço listas sem fim. Quero - ou tento - me organizar;  com minha finitude, elas também chegarão a um termo, matéria que são  - e são também matéria mental, com um pouco mais de vibração de energia, elipticamente falando, mas simplesmente matéria. 

Fico pensando nos leitos de vida e nos leitos de morte. E do quanto não nos permitem falar sobre ela, a morte. Parte da vida. Partir da vida matéria,  assim como a conhecemos.

Já nos leitos da vida, tudo pode acontecer. 

Leitos dos rios que correm em nós. 

Medo.

Medo do intocável,  do inimaginável,  do desconhecido. 

Queremos (ou podemos) controlar o que pretendemos?

Apenas tentar organizar o pensamento diante e dentro de uma impermanência sem fim, e também dentro do caos interno,  paralelamente, externo; este, reflexo daquele. 

Ao mesmo tempo, tudo não é mais do que natural. 

Aprender a deixar a própria natureza fluir dentro de mim e através de mim; o que é,  é - e não deixa de ser,  até que seja o momento.  As coisas se repetem de maneiras diversas até que aprendamos.

Não seria isso para o quê viemos aqui? Deixar fluir Deus, ou como se queira chamar, em nós e através de nós,  através de todos os nossos dons, cada um em sua singularidade.

Estive conversando com o Murilo sobre isso, o deixar fluir, viver e fazer no presente. 

Como as coisas fluem ao exercemos nossos talentos,  nossos dons! Não vemos o tempo passar,  não nos preocupamos com o passado, sequer com o futuro,  somos apenas tomados pelo prazer de fazer, seja lá o que for.

Esse o maior presente da vida: Viver!

Simples assim.

Parece difícil?

Se puder complicar, pra quê simplificar?  Afinal, somos humanos,  neuróticos,  de carne e osso, cada um com seus traumas e estórias,  para contar ou não - e não os espíritos purificados vestidos em trajes brancos, que ajudam a curar a humanidade. 

Talvez, digo, certamente, chegaremos lá,  elipticamente vivendo, indo e voltando, indo e vindo, indo e voltando...

Curando a humanindade como um todo, mas também a humanidade dentro nós,  e digo não no  sentido dos mais admiráveis. 

Somos o que somos e o que damos conta de ser. É isso, cada um dá o seu melhor, o que pode, sem julgamentos. Cada qual só dá o que tem para dar.

Melhorar, mudar, correr atrás, ninguém irá fazer por nós. 

Entretanto, estamos aqui para aprender, superar e transcender.

Deixar fluir aquilo que vem de nossa 'natureza natural', que seja chamado como for, como quiser, Deus,  o Universo,  o Divino, as Leis Universais etc.  

Ou nenhuma das opções acima, mas que tenha por essência o Amor.

Não é para isso que estamos aqui?

Aprendamos com nossos cães, suspeita para falar que sou, porque tenho a Mel para cuidar e também para cuidar de mim.

Amor incondicional. 

Meta.

E deixa a vida rolar!!


Paula Mendes 

09/09/24

ESTAMOS TODOS INTERNADOS

Bom dia! 

03:30 da manhã e, mais uma vez, internada. Este é o horário em que costumo render mais quando quero escrever.

Já não me animo a dar notícias de idas e vindas, internações e voltas pra casa, melhoras e pioras. É o balanço da vida, das ondas, a flutuação de sintomas, a montanha russa que não deixa de existir para todos.

“Melhor escrever para si mesmo e não ter público do que escrever para o público e não ter a si mesmo” (Cyril Connolly, romancista e crítico literário inglês). 

Não sei exatamente onde me deparei com esta frase, mas muito me tocou. Pura verdade. Pôs-me a me perguntar o quanto faço de um e de outro.

Sou sim uma otimista, na maioria do tempo. Como todos os humanos, feitos que somos de carne e osso, tenho meus momentos de pessimismo e de dramaticidade. 

Sim, sou resiliente. Mas tenho momentos, nunca direi de revolta porque não é verdade, mas de sensação de que as coisas não terão muito jeito.

Alguns amigos, brincando, me chamam de “ET”, como se eu não fosse deste mundo, por minhas reações diante das adversidades. Realmente talvez seja a impressão que eu passe ou queira preservar; o que não corresponde à realidade. Não sou mais do que uma pobre mortal tentando se equilibrar na corda bamba da vida e, talvez, este tenha sido meu modo de lidar com o imprevisível, com o inusitado, com aquilo que nos ameaça na calada da noite, que espreita nos cantos escuros,  no olhar discreto e penalizado das pessoas, que teimam em dar a impressão de que não tivessem olhado.

Já me chamaram de “senhorinha”, de mãe das acompanhantes, até de avó de uma delas. Isso é coisa séria. O adoecer traz consigo certas peculiaridades.

Tenho medo, sim. Ansiedade, muita; às vezes incontrolável, sai pelo corpo. Há que se ter uma alternativa de por onde sair. Talvez escrever seja uma delas. Meditar na hora da ansiedade? Que dificuldade! Há que se criar alternativas sãs.

Por outro lado, sou sim, alegre, bem humorada, tenho até uma “felicidade estrutural” que me acompanha, legado de meus pais pelo exemplo, vívido, do amor. Vivido.

Tenho me furtado, no entanto, a colocar os pés no chão. Fuga verdadeira de se viver a dor que, afinal, tem que ser sentida e elaborada. Dor da perda e das limitações. Não que se deva mergulhar nela, como no fundo de um poço úmido, frio, sem luz e sem perspectivas, mas vive-la sem negá-la, isso sim. A dor faz parte. Não há compras nem postagens que a façam ir embora. Há que se lidar com ela, achar uma forma saudável de fazê-lo. Sem que seja para o público, mas para si mesmo.

Não quero escrever apenas para o outro; não mais. Não pretendo me perder a mim mesma. Nem em mim mesma.

Já me referi em outro momento à maneira com que ‘deslizo’ com minha cadeira de banho casa afora, numa analogia ao modo com que deslizaria pela vida. Sim, verdade; mas também deslizo sobre a morte – tal como todos nós, novamente, ‘pobres mortais’. 

“Para morrer, basta estar vivo”, diria o ditado. Muitas vezes isso se mostra tão escancarado que amedronta. Como não? Todos vivemos sob este véu que às vezes cisma em cair, em se rasgar.

Fiquei pensando na atual internação: afinal, não estaríamos todos internados? Inclusive num manicômio, talvez. Que loucura essa, do mundo atual? Internados com o fim de nos curarmos ou nos tratarmos de algo muito sério, cada um a seu modo, cada um com seus sapatos, cada um de uma doença idiossincrásica.

A vida nos apresenta situações para nos curarmos daquilo de que mais precisamos: 

Preciso de paciência? 

- Dá-lhe uma ‘miastenia gravis’ para que se a crie, se a promova, se a burile, com vistas a que vire um diamante, de bruto a lapidado, como se isso fosse possível aqui nesta estação...

Preciso de humildade?

- Dá-lhe circunstâncias em que se tem de depender, por exemplo.

Preciso desenvolver a empatia, a compaixão, o amor etc.?

- Dá-lhe condições em que tenha que olhar para o lado e deixar de enxergar apenas o próprio umbigo... E também circunstâncias em que se é tão amado que se pergunte: será que estou amando assim? Será que sou capaz? E isso te faz ser uma pessoa melhor; nada melhor e único do que o exemplo.

Manter o olhar focado sobre o próprio umbigo adoece, fá-lo se sentir como o mais pobre dos mortais (novamente o termo que não quer se esgueirar), pena de si mesmo. Ô dó!

(Aff! – como se diria hoje em dia).

Basta olhar para o lado.

Que cada um se cure daquilo que o levou a ser internado neste mundo cão, ao mesmo tempo cheio de amor, ao mesmo tempo cheio de dor. Que se alcance, com o próprio suor e também com a misericórdia do Universo, do Divino, aquilo que se mais necessita, aquilo que mais se anela nas profundezas do secreto, naquilo que nem se ousa pensar em declarar, muitas vezes, inúmeras vezes, nem sequer para si mesmo.

Não falo de religião, cada um tem a sua. Muitos, nenhuma, e assim mesmo a carregam consigo, não acreditando em bruxas, “pero que la hay, las hay”...

Céticos ou não, o mundo poderia ser visto sob o ângulo de um hospital em que todos estariam tentando se curar, muitos cuidando uns dos outros, ensinando e aprendendo; tratando de uma doença que a Vida apresenta a cada um segundo as suas necessidades.

Sigamos.


Paula Mendes

27/08/2024

ESPERANÇA

A esperança é verde, de vários tons de verde. Verde bandeira, verde clarinho, verde água,  verde musgo e até 'verde calcinha', se é que isso existe.

A esperança é nossa natureza. 

Combinada ao marrom do tronco das árvores e também do pelo dos animais.  Combinada ao marrom das pequenas pedrinhas que visualizo sob meus pés mergulhados em

um pequeno riacho de águas claras e mínimos peixinhos.

As pedras são de um marrom de multitonalidade e multitamanhos.

Piso nelas e sinto-lhes uma resistência que machuca, apesar de sua beleza. 

Tento simbolizar.

Obstáculos, desafios.

Mas então de onde viria a beleza? Talvez da nossa natureza,  da descoberta de que as coisas são o que são,  sem julgamentos. Tudo está onde deveria estar.

Entretanto, o riacho corre para o rio, onde se encontram peixes maiores e uma correnteza que como um ímã se dirige ao mar.

Aí a benventurança, a esperança de poder  pular ondas em uma água morna e refazedora,  revigorante.

O mar das nossas fantasias, a esperança. 

Não faço planos como fazia, pois tantos não se podem cumprir e me restaria a frustração.  Não. 

Enxergo perspectivas, alternativas, tento concebê-las.

Há pouco consegui dar cinco passinhos sem me segurar a ninguém.  Com supervisão,  naturalmente, mas ao mesmo tempo segura de mim também.

Deus, mas que felicidade!

Juntamente com isso, tive que abaixar a pressão do bipap.  Boas novas! Sinais de melhora. 

Ainda me encontro bastante fraca, ainda não consigo conversar sem me cansar, fazer um leve esforço sem me mostrar ofegante e com a musculatura cansada a pequenos movimentos. 

Olhando assim,  ninguém fala; parece que não tenho nada. 

A miastenia não fica assim, visível, exceto em alguns casos.

MAS há a melhora a se pronunciar.

A dúvida era se aconteceu pela interrupção de um psicotrópico (ao mesmo tempo ansiolítico, antidepressivo, estabilizador do humor e sonífero)  - será que,  como inúmeros medicamentos na iadtenia,  estava contribuindo para  piorar os sintomas?

O fato é que a melhora coincidiu com a conclusão de um diagnóstico,  uma infecção arrastada e o início de seu tratamento.  Como os medicamentos,  qualquer infecção pode piorar também os sintomas da miastenia. 

No caso, uma 'esporotricose'.  Causada por um fungo que é encontrado no ambiente e que pode ser transmitido por arranhadura de animais, principalmente gatos, mas também cachorros etc. Ou pode-se inalar seus esporos.

Apareceu- me no final do ano passado um pequeno nódulo no cotovelo, depois outros satélites,  com aumento de seu  número e tamanho.  

A cultura realizada depois da biópsia encontrou o dito, que já está sendo tratado por tempo indefinido, devido à imunossupressão. 

Será que os sintomas pioraram por causa dessa infecção? Será que começaram a melhorar por causa desse tratamento? (Especulo). 

O fato é que diante disso pudemos tentar reduzir,  depois de um loongo período,  a dose do corticoide.  Vai que cola!

Reduz o inchaço,  o apetite, a glicemia e tantos outros efeitos. 

Estou um pouco de luto, pois não posso mais ter contato com a Mel, que gosta de me arranhar pra chamar pra brincar. O luto é  provocado por qualquer perda significativa,  não apenas a morte. Sigamos. Adaptamo-nos a tudo, não somos quadrados.  Eu, atualmente,  uma bolinha (risos sérios).

Perspectiva de mudança, de esperança. 

E a ansiedade a toque de caixa, que não me facilita dormir ou parar de especular.

Tudo ao mesmo tempo. 

Com a melhora,  há de dar uma arrefecida.

Fácil falar:  


ENTREGO, 

CONFIO,

ACEITO E 

AGRADEÇO. 


MAS TAMBÉM NÃO ME FURTO A DESEMPENHAR MEU PAPEL.

SOU ATIVA, NÃO PASSIVA.


RESILIENTE, NÃO RESIGNADA.


TAMBÉM TOMO PARTE NO MEU DESTINO.

PORÉM,  COMO DIZ O MURILO,  "REGIDOS PELO ETERNO E IMUTÁVEL".


Regidos também pela transmutação da luz violeta, pela cura da luz verde, da conspiração do universo em nosso favor.

Basta acreditar,  fazer nossa parte. 

As coisas são o que são,  de nada adianta brigar com elas.

No entanto,  há que se ter esperança. 

E vamos em frente!


Paula

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