domingo, 29 de setembro de 2024

DEIXAR DEUS ACONTECER

"A felicidade, costumava ele dizer, consiste num fazer nada: ser-se feliz é apenas deixar Deus acontecer."

Mia Couto”A confissão da Leoa”
#MiaCouto

UM ANJO ENTRE NÓS (LUTO)

Ainda não consegui elaborar sua perda.
Coisa demais acontecendo ao mesmo tempo, isso ficou dentro de uma gaveta,  aguardando.
Agora 'és' a bola da vez.
Que dizer, meu querido, meu amado irmão? Anjo de todos nós.
Cuidei de você, meio que mãe. Você cuidou de mim, Amigo e Irmão, com letras maiúsculas. Contava comigo e eu, com você.
Cuidou de nossos pais e eles, de você. Puro carinho.
Reclamããoo!!! (risos). Tudo da boca pra fora. A verdade é que tinha o coração enorme, não cabia no peito. Queria agradar, mas amava genuinamente.
Ao mesmo tempo, não tinha ‘papas na língua’, falava o que lhe viesse à telha. Colocava apelido nas pessoas conforme suas características, sempre com bastante humor, muito engraçado.
Não há como não lembrar de você sem dar umas boas risadas. Simples assim. Doces lembranças.
Recolhido a seu mundinho todo próprio, música, cinema, séries, gastronomia. E como tinha bom gosto para todos acima!
Tenho medo de esquecer suas feições, o tom alto com que falava e o timbre da sua voz, o seu sorriso, os seus espirros, sempre exagerados! Fico tentando me lembrar da última vez em que o vi vivo, da última vez que o vi morto, sem acreditar. Acesso em minha mente aquele momento. Fui sem poder ir. Tinha que me despedir. São Tomé.
Que saudade! Pouco ou nada pranteei, tudo guardado no peito a me adoecer. Guardado. Hoje entreabro a gaveta. Não sei bem o que há ali.
Sempre recorria a mim. Eu gostava.
Sempre viajava com a Flávia e o Alex, amigo e companheiro não só de viagens, mas também de filmes de terror no cinema.
Stella viajava um pouco menos em sua companhia, mas também com frequência. Davam-se bem.  Dava-se bem com a família, compreensivo e compreendido, coisa que nem sempre foi. Muito perdeu quem não o conheceu de verdade.
Sem sombra de dúvidas, verdadeiro Anjo em nossas vidas que hoje brilha no céu como uma estrela a nos alumiar o coração.
Fizemos tantos planos!
Morou comigo durante um ano, fugia de casa durante minhas 'TPMs', voltava em cinco dias a reclamar. Responsável por fazer o pagamento das contas e até mesmo lavar louças, coisa que detestava. Um copo diferente para cada nova ingestão de água. Voltou para a casa de meus pais com a justificativa de que queria conviver com a primeira cadelinha deles, a Kelly.
Muito amor pelos animais.
Antenado quanto às pessoas,à sua volta, muito sensível. Ao mesmo tempo,  ingênuo. 
E um tanto direto, aquilo ficava escrito na sua testa.
Tinha que ter seus momentos em sua própria companhia, viajava sozinho ou refugiava-se em seus aposentos, recolhido em si mesmo.
E ao mesmo tempo, tão presente!
Maurício, você foi um grande PRESENTE para todos nós! Que privilégio o nosso! 
E faz-se presente em todos os momentos.
Agora consigo chorar. Desanuviar. Custei, meio que anestesiada e tomada por circunstâncias a elaborar.
‘Mauzinho’, como você faz falta!
Lembro-me como se fosse hoje quando mamãe me ligou na casa da Débora, comunicando que havia escolhido seu nome, que persevera, retunde, reverbera em minha mente. Não há como não lembrar de você todos os dias, como não citar você todos os dias sem sorrir.
No final de minha agenda, um papelzinho à parte com a ‘receita’ do sanduíche da Subway que você gostava. Lugarzinho sagrado.
Sei que está muito bem acompanhado aí em cima. Fica bem. Nós também ficaremos.
Sua, 
‘Raimundinha’.
26/09/24, antevéspera do que seria seu aniversário. 
Vivo o luto, finalmente.
Parabéns, meu lindo!

CHEIRO DE CÉU

"Recordava sobretudo o perfume da terra quando chovia. 
Vendo a chuva escorrendo-me perguntava:
Como sabemos que esse cheiro é de terra e não de céu?"

Mia Couto

terça-feira, 27 de agosto de 2024

ESTAMOS TODOS INTERNADOS

Bom dia!
03:30 da manhã e, mais uma vez, internada. Este é o horário em que costumo render mais quando quero escrever.
Já não me animo a dar notícias de idas e vindas, internações e voltas pra casa, melhoras e pioras. É o balanço da vida, das ondas, a flutuação de sintomas, a montanha russa que não deixa de existir para todos.
“Melhor escrever para si mesmo e não ter público do que escrever para o público e não ter a si mesmo” (Cyril Connolly, romancista e crítico literário inglês). 
Não sei exatamente onde me deparei com esta frase, mas muito me tocou. Pura verdade. Pôs-me a me perguntar o quanto faço de um e de outro.
Sou sim uma otimista, na maioria do tempo. Como todos os humanos, feitos que somos de carne e osso, tenho meus momentos de pessimismo e de dramaticidade. 
Sim, sou resiliente. Mas tenho momentos, nunca direi de revolta porque não é verdade, mas de sensação de que as coisas não terão muito jeito.
Alguns amigos, brincando, me chamam de “ET”, como se eu não fosse deste mundo, por minhas reações diante das adversidades. Realmente talvez seja a impressão que eu passe ou queira preservar; o que não corresponde à realidade. Não sou mais do que uma pobre mortal tentando se equilibrar na corda bamba da vida e, talvez, este tenha sido meu modo de lidar com o imprevisível, com o inusitado, com aquilo que nos ameaça na calada da noite, que espreita nos cantos escuros,  no olhar discreto e penalizado das pessoas, que teimam em dar a impressão de que não tivessem olhado.
Já me chamaram de “senhorinha”, de mãe das acompanhantes, até de avó de uma delas. Isso é coisa séria. O adoecer traz consigo certas peculiaridades.
Tenho medo, sim. Ansiedade, muita; às vezes incontrolável, sai pelo corpo. Há que se ter uma alternativa de por onde sair. Talvez escrever seja uma delas. Meditar na hora da ansiedade? Que dificuldade! Há que se criar alternativas sãs.
Por outro lado, sou sim, alegre, bem humorada, tenho até uma “felicidade estrutural” que me acompanha, legado de meus pais pelo exemplo, vívido, do amor. Vivido.
Tenho me furtado, no entanto, a colocar os pés no chão. Fuga verdadeira de se viver a dor que, afinal, tem que ser sentida e elaborada. Dor da perda e das limitações. Não que se deva mergulhar nela, como no fundo de um poço úmido, frio, sem luz e sem perspectivas, mas vive-la sem negá-la, isso sim. A dor faz parte. Não há compras nem postagens que a façam ir embora. Há que se lidar com ela, achar uma forma saudável de fazê-lo. Sem que seja para o público, mas para si mesmo.
Não quero escrever apenas para o outro; não mais. Não pretendo me perder a mim mesma. Nem em mim mesma.
Já me referi em outro momento à maneira com que ‘deslizo’ com minha cadeira de banho casa afora, numa analogia ao modo com que deslizaria pela vida. Sim, verdade; mas também deslizo sobre a morte – tal como todos nós, novamente, ‘pobres mortais’. 
“Para morrer, basta estar vivo”, diria o ditado. Muitas vezes isso se mostra tão escancarado que amedronta. Como não? Todos vivemos sob este véu que às vezes cisma em cair, em se rasgar.
Fiquei pensando na atual internação: afinal, não estaríamos todos internados? Inclusive num manicômio, talvez. Que loucura essa, do mundo atual? Internados com o fim de nos curarmos ou nos tratarmos de algo muito sério, cada um a seu modo, cada um com seus sapatos, cada um de uma doença idiossincrásica.
A vida nos apresenta situações para nos curarmos daquilo de que mais precisamos: 
Preciso de paciência? 
- Dá-lhe uma ‘miastenia gravis’ para que se a crie, se a promova, se a burile, com vistas a que vire um diamante, de bruto a lapidado, como se isso fosse possível aqui nesta estação...
Preciso de humildade?
- Dá-lhe circunstâncias em que se tem de depender, por exemplo.
Preciso desenvolver a empatia, a compaixão, o amor etc.?
- Dá-lhe condições em que tenha que olhar para o lado e deixar de enxergar apenas o próprio umbigo... E também circunstâncias em que se é tão amado que se pergunte: será que estou amando assim? Será que sou capaz? E isso te faz ser uma pessoa melhor; nada melhor e único do que o exemplo.
Manter o olhar focado sobre o próprio umbigo adoece, fá-lo se sentir como o mais pobre dos mortais (novamente o termo que não quer se esgueirar), pena de si mesmo. Ô dó!
(Aff! – como se diria hoje em dia).
Basta olhar para o lado.
Que cada um se cure daquilo que o levou a ser internado neste mundo cão, ao mesmo tempo cheio de amor, ao mesmo tempo cheio de dor. Que se alcance, com o próprio suor e também com a misericórdia do Universo, do Divino, aquilo que se mais necessita, aquilo que mais se anela nas profundezas do secreto, naquilo que nem se ousa pensar em declarar, muitas vezes, inúmeras vezes, nem sequer para si mesmo.
Não falo de religião, cada um tem a sua. Muitos, nenhuma, e assim mesmo a carregam consigo, não acreditando em bruxas, “pero que la hay, las hay”...
Céticos ou não, o mundo poderia ser visto sob o ângulo de um hospital em que todos estariam tentando se curar, muitos cuidando uns dos outros, ensinando e aprendendo; tratando de uma doença que a Vida apresenta a cada um segundo as suas necessidades.
Como diria o Facebook,  à parte de sua 'positividade tóxica ': a vida que não postamos nas redes dá um trabalho danado!!
Sigamos.

Paula Mendes
27/08/2024

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

DENTRO DE MIM - M. DE BARROS

“Eu só ando dentro de mim;
se fui em outro lugar foi para me ver.
Não saio de dentro de mim nem para pescar. Ando mais por dentro de mim do que na estrada.
Passarinhos existem para dar movimento ao entardecer.
Eu me recolho no abandono para ser livre”

Manoel de Barros

CONSELHOS - NANDA ARAÚJO

:Desligue-se de tudo o que trava seu riso e tira sua paz. 
Desobrigue-se de carregar o peso do mundo. 
Encante-se pelo simples e verdadeiro. 
Apaixone-se pela vida e por si mesmo. 
Seja leve de alma e coração. 
Compartilhe o bem, espalhe amor e não desdenhe ninguém. 
Ame sua própria companhia e contagie a todos com sua alegria. Trilhe seu caminho e construa seu próprio destino. 
Não alimente o ego, nem a maldade. 
Cultive a humildade e prossiga sempre com a sua verdade."

Nanda Araújo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

ONDE O AMOR SE ESCONDE

"Lugares onde o amor se esconde:
num céu estrelado                                
num café de vó                                             
num abraço apertado                  
num vasinho de flor                        
num elogio inesperado                             
numa foto antiga                                            
num verso de poesia." - 

Victor Hugo

PÁSCOA 2026

Jesus ressuscitou, Jesus renasceu!  É isto o que celebramos neste dia. Pegando carona com São Francisco de Assis, Desejo: Que ao invés de am...