A gente precisa morrer de vez em quando, pra descobrir pelo que está vivendo.
Não falo da morte do corpo, mas dessas pequenas mortes invisíveis que a vida impõe - o fim de uma versão antiga de nós mesmos, a queda de uma ilusão, o silêncio depois de um sonho que não vingou. Há mortes que não param o coração, mas desmontam o personagem que vestíamos como identidade.
E é curioso: enquanto tudo parece desmoronar, algo começa a se revelar. Quando perdemos o que achávamos essencial, somos obrigados a perguntar o que realmente é. Quando uma certeza cai, surge espaço para uma verdade mais honesta. Quando o ego racha, a alma respira.
Morrer, às vezes, é deixar de sustentar aquilo que já não nos sustenta. É abandonar papéis que nos apertam, expectativas que nos cansam, histórias que repetimos por medo do vazio. É atravessar o luto de quem a gente foi para ter coragem de ser quem ainda não sabemos.
Essas mortes são iniciações silenciosas. Elas nos arrancam do automático e nos colocam diante da pergunta fundamental: se tudo isso acabasse, o que em mim permaneceria vivo?
E talvez seja essa a resposta: aquilo que continua pulsando mesmo depois da queda - aquilo que insiste em amar, criar, aprender, servir, sentir - é pelo que estamos vivendo.
No fim, morrer de vez em quando não é o contrário de viver. É a poda necessária para que a vida floresça com mais verdade.
@julianavitalp
Nenhum comentário:
Postar um comentário